
O transporte internacional de mercadorias constitui uma das bases operacionais do comércio exterior, e independentemente do modal utilizado, o frete representa um componente determinante na formação do custo final do produto importado. E, embora diversos fatores influenciem o preço dos fretes internacionais, a taxa de câmbio, em especial a cotação do dólar norte-americano, exerce influência direta e constante sobre os valores praticados no mercado de fretes.
As variações cambiais afetam não apenas o valor nominal do frete, mas também a previsibilidade dos custos, a competitividade dos produtos e as decisões das empresas relacionadas à escolha de transportadoras e operadores logísticos, rotas e modais de transporte.
Como o dólar interfere na precificação dos fretes internacionais para saber que o impacto cambial vai além da simples conversão de moedas, é o que você irá encontrar ao longo deste texto. Confira!

A predominância do dólar no comércio internacional não ocorre por acaso, visto que após a Segunda Guerra Mundial, com o Acordo de Bretton Woods, a moeda norte-americana passou a ocupar posição central no sistema financeiro global.
Mesmo após o fim da paridade fixa com o ouro, o dólar manteve seu papel como unidade de conta, meio de pagamento e reserva de valor em transações internacionais.
No setor de transportes e logística, essa predominância é ainda mais evidente, já que contratos de frete marítimo, tarifas de companhias aéreas, taxas portuárias, prêmios de seguros e até cobranças, como Demurrage e Detention, são majoritariamente precificados em dólar.
Assim, mesmo as empresas localizadas fora dos Estados Unidos, ao contratar serviços logísticos internacionais, acabam expostas às variações dessa moeda.
Essa característica faz com que o dólar funcione como um referencial comum, o que contribui para a padronização de preços. Entretanto, essa padronização transfere para as empresas o risco cambial, sobretudo em países cuja moeda apresenta volatilidade frente ao dólar, como ocorre com o Real no Brasil.
O valor de um frete internacional não é composto apenas pelo deslocamento físico da carga de um país para o outro. Ele resulta da soma de diversos elementos, muitos dos quais estão direta ou indiretamente atrelados ao dólar.
Entre os principais componentes de custo, destacam-se:
Grande parte desses itens é negociada em dólar ou sofre influência de mercados que utilizam essa moeda como base de precificação.
O combustível, por exemplo, tem seu preço formado nas bolsas de valores de todo o mundo, com seu preço determinado pela oferta e demanda, sendo cotado majoritariamente em dólar. Assim, mesmo que o consumo ocorra em território nacional, o valor final reflete a cotação da moeda norte-americana.
Quando ocorre a valorização do dólar frente à moeda local do contratante, todos esses custos tendem a se tornar mais elevados em termos nominais. Como as empresas transportadoras precisam preservar suas margens de lucro e ainda cobrir suas despesas operacionais, o aumento cambial é repassado para o valor do frete cobrado do cliente final.
Vamos entender aqui como o dólar impacta o preço dos fretes internacionais nos diferentes modais de transporte.
O transporte marítimo é o principal modal utilizado no comércio internacional em termos de volume e as grandes companhias de navegação operam em escala mundial e estruturam seus custos em dólar, desde a aquisição de navios até a contratação de serviços portuários em diferentes países.
A valorização do dólar provoca um aumento imediato no valor dos fretes marítimos quando convertidos para moedas locais. Além disso, o setor costuma adotar mecanismos de ajustes automáticos, como o Bunker Adjustment Factor (BASF), que corrige o valor do frete de acordo com as oscilações no preço do combustível marítimo, também influenciado pela moeda norte-americana.
Outro aspecto é que contratos de longo prazo podem conter cláusulas de reajuste cambial, o que permite que os armadores atualizem as tarifas de frete conforme a variação do dólar ao longo da vigência contratual, reduzindo assim o risco financeiro das transportadoras que, por outro lado, amplia a exposição cambial dos embarcadores.
No transporte aéreo internacional, o impacto do dólar tende a ser ainda mais sensível, visto que o custo operacional das companhias aéreas é altamente dolarizado, envolvendo o combustível de aviação, leasing de aeronaves, manutenção técnica e seguros internacionais.
Além disso, o frete aéreo costuma ser utilizado para cargas de maior valor agregado ou com necessidade de entrega rápida ou tratamento especial, e nesses casos, o custo do transporte representa uma parcela relevante do valor total da mercadoria.
Uma elevação da cotação do dólar pode tornar as operações aéreas financeiramente inviáveis, levando as empresas a reconsiderarem prazos, volumes ou até mercados.
As tarifas aéreas internacionais são geralmente publicadas em dólar, e a conversão para a moeda local ocorre apenas no momento do faturamento. Assim, variações cambiais abruptas podem gerar diferenças expressivas entre o custo inicialmente estimado e o valor efetivamente pago.
Embora menos dependentes do dólar em comparação aos modais marítimo e aéreo, o transporte rodoviário e ferroviário internacional também sofre influência cambial.
Veículos, peças de reposição, pneus e combustíveis têm preços relacionados ao mercado internacional, o que acaba refletindo nos custos operacionais.
Em operações transfronteiriças é comum que os contratos de transporte sejam parcialmente indexados ao dólar para reduzir riscos decorrentes de instabilidade monetária.
Nesses casos, a variação cambial impacta diretamente o valor final do frete, mesmo quando o percurso é relativamente curto.
A oscilação do dólar afeta não apenas o preço dos fretes internacionais em si, mas a competitividade das empresas envolvidas no comércio internacional.
Para os importadores, a valorização da moeda norte-americana eleva o custo total da operação, somando-se ao valor da mercadoria, aos tributos incidentes e às despesas logísticas, o que pode resultar em aumento de preços ao consumidor final ou a redução das margens de lucro.
Para os exportadores, o cenário é mais complexo, pois, embora um dólar valorizado possa tornar os produtos nacionais mais atrativos no mercado externo, o aumento do custo do frete pode neutralizar parte dessa vantagem.
Em segmentos nos quais o transporte representa uma fração significativa do custo total, o impacto cambial sobre o preço dos fretes internacionais pode comprometer a viabilidade econômica das exportações.
As empresas que atuam em mercados altamente concorridos precisam considerar o efeito do câmbio na precificação de seus produtos, avaliando se é possível repassar o aumento dos custos logísticos ao comprador ou se será necessário absorver parte desse impacto para manter a participação de mercado.
Diante da influência direta do dólar sobre o preço dos fretes internacionais, a gestão do risco cambial torna-se uma prática indispensável.
As empresas que atuam de forma recorrente no comércio exterior costumam adotar instrumentos financeiros e estratégias contratuais para reduzir os efeitos da volatilidade da moeda.
Entre as alternativas mais utilizadas estão os instrumentos de hedge cambial, que permitem fixar uma taxa de câmbio para pagamentos futuros, o que reduz a incerteza quanto ao valor final do frete. Outra prática comum é a negociação de contratos logísticos com cláusulas de reajuste bem definidas, o que permite obter uma maior previsibilidade orçamentária.
Além disso, o planejamento logístico integrado, que considera diferentes rotas, modais de transporte e prazos, pode contribuir para a redução da exposição cambial. Em determinados contextos, optar por um modal mais lento, porém menos oneroso, pode compensar o impacto de uma cotação elevada do dólar.
O comportamento do dólar está intimamente ligado a fatores macroeconômicos, como taxas de juros, política monetária, fluxos de capital e tensões geopolíticas. Em períodos de instabilidade global, a moeda norte-americana tende a se valorizar, elevando os custos do comércio internacional como um todo.
Esses movimentos afetam a oferta de capacidade logística, já que crises econômicas ou conflitos podem reduzir investimentos em infraestrutura, aumentar o custo do crédito para transportadoras e gerar gargalos operacionais.
Como resultado, o aumento do dólar pode coincidir com a elevação adicional dos preços dos fretes internacionais, intensificando o impacto sobre importadores e exportadores.
A análise do câmbio, portanto, não pode ser dissociada do contexto econômico global, considerando que as empresas que costumam acompanhar de forma sistemática os indicadores macroeconômicos conseguem antecipar tendências e ajustar suas estratégias logísticas de maneira mais eficiente.
Mesmo diante do impacto do dólar sobre o preço dos fretes internacionais, na Quantum Logistics você encontra:
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Diversos fatores, como combustível, capacidade logística, modal escolhido e, principalmente, a cotação do dólar.
Porque a maioria dos custos logísticos globais é precificada em dólar, independentemente do país de origem ou destino.
Sim. Armadores operam com custos dolarizados e utilizam mecanismos de ajuste vinculados ao câmbio e ao combustível.
Geralmente, sim. O transporte aéreo possui alto custo operacional em dólar, o que amplifica o impacto da moeda.
Não. Ele impacta a previsibilidade de custos, a competitividade dos produtos e decisões sobre rotas e modais.
Não. Importadores tendem a ter aumento de custos, enquanto exportadores podem ganhar competitividade, mas com fretes mais caros.
Sim. Com planejamento logístico, escolha adequada de modais, negociação contratual e uso de instrumentos de hedge cambial.
Sim. Empresas ajustam prazos, volumes, modais e rotas conforme a variação do dólar.

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