
As omissões de escalas dos navios representam um dos eventos operacionais mais sensíveis da navegação comercial. Isso ocorre porque, quando um armador decide suprimir uma escala previamente anunciada, ele altera o planejamento logístico de toda a cadeia.
Essa decisão impacta prazos contratuais, fluxo de caixa e a gestão de estoques das empresas. Afinal, não se trata de um evento isolado ou acidental. Pelo contrário, as omissões ocorrem devido a fatores técnicos, operacionais, meteorológicos e comerciais.
A escala portuária integra um cronograma rigidamente calculado. Para isso, o armador estrutura a sua rota com base em janelas operacionais e na produtividade prevista de cais. Além disso, ele considera o tempo de trânsito, restrições de calado, marés e a disponibilidade de rebocadores.
Qualquer desvio nesses parâmetros pode comprometer a sequência da viagem. Dessa forma, para evitar atrasos acumulados ao longo da rota, a companhia marítima opta, em determinadas situações, por omitir uma escala. Diante desse cenário, neste texto, você encontrará os fatores que interferem nas escalas e a explicação real sobre as omissões. Confira!

O armador define a rota de um serviço com base em estudos de mercado, análises de demanda, viabilidade comercial e capacidade de infraestrutura portuária, sendo que cada porto inserido na rota precisa apresentar volume suficiente para justificar a escala.
A companhia marítima calcula o tempo estimado de operação considerando:
O cronograma considera margens de segurança reduzidas, visto que a navegação de linha regular trabalha com programação semanal ou quinzenal.
Quando o navio sofre atraso em um porto anterior, a recuperação do cronograma exige medidas compensatórias. O comandante pode aumentar a velocidade do navio dentro de limites técnicos e econômicos, mas o consumo adicional de combustível eleva o custo da viagem.
Se o atraso ultrapassa o tempo recuperável, a omissão de escala pode ser uma alternativa utilizada para restabelecer o alinhamento do serviço.
Os principais fatores que interferem nas escalas dos navios são:
A produtividade portuária influencia diretamente a permanência do navio no cais, considerando que quando o terminal opera abaixo do desempenho previsto, o tempo de estadia aumenta.
Diversos fatores reduzem a eficiência dos terminais portuários. Vamos conhecer alguns desses fatores.
Quando o atraso acumulado em um porto compromete a sequência seguinte, a companhia marítima precisa decidir entre absorver o desvio ou emitir escalas futuras.
Um dos fatores que interfere nas escalas dos navios são as condições meteorológicas, visto que a navegação depende de condições marítimas adequadas, uma vez que tempestades, ciclones, nevoeiros densos e ressacas obrigam o comandante do navio a reduzir a velocidade ou alterar a rota programada.
Assim como portos com restrição de calado dependem de marés específicas para permitir a entrada e a saída de navios de grande porte, pois caso o navio perca a janela de maré, ele precisa aguardar o próximo ciclo, e esse intervalo pode inviabilizar a manutenção da rota prevista.
As restrições ambientais também interferem nas escalas dos navios, já que determinadas áreas impõem limites de velocidade para reduzir a emissão de poluentes ou para proteger a fauna marinha, e esses limites aumentam o tempo de trânsito entre escalas.
Nem todos os portos possuem infraestrutura compatível com navios de maior porte, sendo que a expansão da capacidade dos porta-contêineres elevou a exigência sobre:
Se o porto não suporta a operação integral do navio, o armador precisa redistribuir os volumes de carga para outros terminais portuários.
Em determinados casos, a companhia marítima decide omitir a escala até que a infraestrutura se adeque ou até que o volume justifique o esforço operacional adicional.
O armador gerencia a oferta de espaço conforme a demanda de mercado, e quando ocorre retração no volume embarcado, a companhia marítima pode reorganizar o serviço para reduzir custos.
Entre as medidas adotadas estão a redução de frequência, a omissão pontual de porto e até mesmo o Blank Sailing.
E quando nos referemos ao Blank Sailing, este termo significa o cancelamento pelo armador de uma viagem inteira programada, de modo que todas as escalas que foram planejadas dentro da rota ficam "em branco". Ou seja, o armador comunica o cancelamento da saída do navio da origem, afentando todos os portos da rota de forma simultânea.
Para o caso das omissões, se o volume previsto para determinado porto não atinge o patamar mínimo de rentabilidade, a companhia marítima pode decidir suprimir temporariamente a escala, e nessa decisão são considerados os custos portuários, o tempo de operação e a receita estimada.
Agora, para o caso de Blank Sailing, as companhias de navegação utilizam o cancelamento de viagens como instrumento de ajuste da capacidade ofertada de espaço no navio. Ao reduzir a quantidade de escalas programadas, diminui-se a oferta disponivel no mercado, o que tende a sustentar a estabilidade das tarifas de frete ou, conforme o nível de demanda, pressioná-las para patamares mais elevados.
Falhas mecânicas ou necessidade de manutenção corretiva interferem na programação das escalas de um navio.
Motores principais, sistemas de propulsão, geradores auxiliares e equipamentos de navegação exigem monitoramento constante.
Caso o navio apresente anomalia que limite a velocidade ou imponha parada técnica não programada, a rota programada sofre impacto direto.
A prioridade do armador recai sobre a segurança da tripulação e da carga, assim, a companhia marítima pode decidir omitir um porto para direcionar o navio a estaleiro ou para recuperar parte do atraso gerado por manutenção emergencial.
Grandes armadores operam redes integradas com dezenas de navios interligados por acordos de compartilhamento de espaço, e um atraso significativo em um navio afeta as conexões subsequentes em outros portos e serviços feeder (conexão entre portos secundários e hub ports).
A decisão de omitir a escala considera o impacto gerado, pois se a manutenção da parada comprometer conexões estratégicas em hubs principais, a companhia marítima tende a preservar o porto de transbordo e suprimir escalas secundárias, sendo que o objetivo consiste em proteger o fluxo global da rede.
A navegação comercial enfrenta forte pressão sobre custos, sendo que o combustível representa uma boa parcela da despesa operacional.
Quando o navio atrasa, o comandante pode aumentar a velocidade para recuperar o tempo, contudo, o consumo de combustível cresce de forma exponencial com o incremento da velocidade.
Se o custo adicional para manter todas as escalas supera o benefício comercial, o armador pode optar por omitir determinado porto, e essa decisão equilibra economia de combustível, taxas portuárias e impacto contratual.
A omissão altera a logística do embarcador e entre as consequências mais frequentes estão:
As empresas que operam no comércio exterior podem reduzir a exposição ao risco de omissão por meio de:
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O armador omite escalas para recuperar o cronograma da frota e evitar a perda de "janelas" em portos subsequentes. Isso ocorre quando atrasos climáticos ou operacionais tornam impossível cumprir o roteiro original sem comprometer a eficiência de toda a malha logística.
A carga sofre atrasos na entrega ou acaba redirecionada para portos distantes, gerando, assim, custos extras com transporte rodoviário e armazenagem.
A empresa deve diversificar armadores e utilizar plataformas de visibilidade, garantindo, portanto, agilidade para ativar planos de contingência e reduzir prejuízos.

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