
O mês de maio começou com o pé no acelerador para o comércio exterior brasileiro. Enquanto os números de abril revelam um Brasil operando em ritmo forte, com um crescimento de dois dígitos na corrente de comércio, o cenário global nos força a olhar atentamente para a eficiência e a sustentabilidade.
A semana foi marcada pela entrada em vigor de acordos históricos, como o tratado entre Mercosul e União Europeia, que já começa a mudar o sabor das prateleiras de vinhos por aqui. Ao mesmo tempo, gigantes como a Maersk mostram que o lucro no azul agora é combustível (literalmente) para a transição energética, transformando o etanol brasileiro no protagonista de uma corrida naval contra os custos geopolíticos. E para fechar o ciclo logístico, o Porto de Itajaí consolida sua retomada, provando que a infraestrutura catarinense está pronta para novas e importantes rotas internacionais.
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O cenário das trocas comerciais brasileiras fechou o mês de abril com um desempenho vigoroso. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a corrente de comércio brasileira atingiu um crescimento de 10,8% em comparação ao mesmo período de 2025. Esse avanço reflete a soma das exportações e importações, sinalizando um mercado interno e externo em plena atividade.
O resultado é impulsionado por um aumento equilibrado em setores estratégicos. Nas exportações, o destaque continua sendo a força do agronegócio e da indústria extrativa, que encontraram preços favoráveis e demanda internacional resiliente. Já no lado das importações, o crescimento indica uma recuperação consistente do consumo e do investimento industrial, com a entrada de bens de capital e insumos necessários para a produção nacional.

O desempenho do comércio exterior brasileiro em abril de 2026 trouxe dados robustos, com destaque para a recuperação de saldos com parceiros tradicionais:
Desempenho por Parceiros Estratégicos:

O novo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio, já começa a provocar mudanças no setor de vinhos no Brasil. Importadores estão revisando portfólios e antecipando negociações, especialmente diante da eliminação imediata da tarifa de importação para espumantes premium acima de US$ 8 por litro.
Nos vinhos tranquilos, que não possuem gás carbônico, a redução de tarifas será gradual ao longo de oito anos, o que mantém a proteção no curto prazo, mas indica maior concorrência futura.
Enquanto isso, o Brasil negociou uma janela de 12 anos para seu próprio segmento de espumantes, antes que a alíquota sobre produtos europeus de entrada similares caia a zero. Mas já enfrenta pressão crescente nos vinhos finos, onde a produção nacional representa cerca de 10% das vendas e divide espaço com Chile e Argentina.
"A combinação entre desoneração tributária e valorização do real cria um cenário otimista para o importador brasileiro"

Para o consumidor, o efeito mais imediato pode ser a queda de preços e maior oferta de vinhos europeus de maior valor agregado. Já para o mercado interno, o cenário é de ajuste: importadores ganham margem para reposicionar preços, enquanto produtores locais precisam se preparar para uma concorrência mais intensa nos próximos anos.
Se você ainda não sabe quais produtos já estão com alíquota zero ou como ficarão as taxas para a sua produção nos próximos anos, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) disponibilizou uma ferramenta essencial. O Simulador de Tarifas do Acordo Mercosul-União Europeia ajuda produtores rurais de todo o país a desvendarem o cronograma exato de redução tarifária.
A ferramenta permite consultar, produto a produto, como a alíquota de importação ou exportação se comportará ao longo dos anos de transição. O objetivo é facilitar o planejamento estratégico e a previsibilidade para o agronegócio, permitindo que o usuário identifique exatamente quando cada categoria atingirá a tarifa zero ou as preferências tarifárias previstas.
Como acessar: O simulador está disponível gratuitamente no portal da CNA.
O avanço do acordo segue na agenda prioritária do governo. Na quarta-feira (07), o vice-presidente Geraldo Alckmin reuniu-se com uma delegação de parlamentares europeus para discutir os próximos passos da parceria. O foco atual das discussões está na ratificação do texto pelos países membros, etapa necessária para que o tratado se consolide plenamente e traga segurança jurídica para as trocas comerciais entre os blocos.
Embora esteja em vigência provisória desde 1º de maio, o texto ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar definitivamente em vigor.

A Maersk abriu o ano entregando resultados positivos ao mercado. A companhia dinamarquesa registrou um lucro de US$ 340 milhões, com crescimento sólido em todos os seus segmentos de atuação entre janeiro e março. O desempenho confirma a capacidade de execução da gigante logística, mesmo navegando em uma conjuntura global que ainda impõe grandes desafios de infraestrutura e geopolítica. De acordo com a empresa, o setor de transporte marítimo apresentou um período de alta de movimentação de 9,3% na comparação com os três primeiros meses do ano passado, enquanto no de logística e serviços o crescimento foi de 8,7% e nos terminais, de 4,3%.
Se a última linha do balanço anima, os custos operacionais ligam o sinal de alerta. A companhia avalia que o cenário de turbulência no abastecimento tem raízes profundas e projeta que a crise energética global persistirá no longo prazo, mesmo diante de um possível acordo de paz entre EUA e Irã. O impacto dessa instabilidade é brutal para a operação: a escalada dos preços no setor marítimo "elevou seus custos de combustível em quase US$ 500 milhões por mês", estrangulando as margens logísticas da armadora.
"Há muita incerteza se olharmos mais à frente neste ano em relação ao que vão ser os impactos secundários desta guerra: inflação, uma possível redução na demanda"
A Maersk registrou uma queda de 2% nas receitas no primeiro trimestre, para US$ 13 bilhões, na comparação anual, e de quase 75% no lucro operacional. A empresa manteve sua projeção de um resultado operacional anual entre um prejuízo de US$ 1,5 bilhão e um lucro de US$ 1 bilhão.
Com uma pressão extra de meio bilhão de dólares mensais no abastecimento de fósseis, a transição para fontes alternativas deixou de ser apenas uma meta ambiental para se tornar urgência financeira. A Maersk confirmou a viabilidade técnica do uso de 100% de etanol em motores navais após testes realizados no primeiro trimestre de 2026. A operação sucedeu testes anteriores com misturas de 10% e 50% ao metanol, validando o biocombustível como opção escalável para a frota de 45 navios bicombustíveis da companhia — dos quais 14 já estão operando.
O avanço tecnológico, no entanto, expõe gargalos de infraestrutura e oferta:
A estratégia visa o cumprimento das normas da IMO para 2030 (redução de 20% das emissões) e a meta interna da armadora de atingir a neutralidade de carbono até 2040.

O Porto de Itajaí reafirmou sua importância estratégica para a economia de Santa Catarina e do Brasil ao encerrar o primeiro trimestre de 2026 com um desempenho expressivo. A marca de 1,2 milhão de toneladas movimentadas entre janeiro e março sinaliza uma retomada operacional sólida e uma capacidade de resposta eficiente às demandas do mercado global.
Somente em março, o terminal movimentou mais de 382 mil toneladas, mantendo um fluxo constante também no segmento de contêineres, com o registro de 35.187 TEUs no período. Para a superintendência do porto, esses resultados refletem não apenas a segurança e regularidade das operações, mas também o papel do porto público como motor de geração de renda e desenvolvimento regional, consolidando Itajaí como um elo vital nas cadeias de suprimentos internacionais.
A CMA CGM anunciou mudanças estratégicas em sua malha logística que favorecem diretamente o Porto de Itajaí. O terminal catarinense passará a integrar o serviço SIRIUS, que conecta o Mediterrâneo à costa leste da América do Sul.
Os detalhes da mudança:
Entre o vigor da nossa balança comercial e as novas fronteiras abertas por acordos internacionais, o sucesso logístico depende de estratégia e adaptação. Na Quantum, acompanhamos cada atualização e cada nova rota para que sua carga encontre sempre o caminho mais eficiente e sustentável, transformando as tendências globais em resultados reais para a sua operação.
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